Segurança em cabeamento agora tem norma

18/07/2013 às 18:50

PauloMarinA norma ANSI/BICSI 005-2013 abrange toda a infraestrutura de cabeamento no que se refere a segurança eletrônica, incluindo os espaços de telecom correspondentes.

Nesta entrevista, Paulo Marin, doutor em telecomunicações e especialista em infraestrutura de TI, mostra como essa norma se aplica e suas vantagens, conta como participou de sua elaboração e fala de sua experiência como primeiro brasileiro a coordenar um trabalho desse porte na BICSI - advancing information technology systems.

A norma traz informações sobre práticas de instalação, estabelece alturas de montagem dos dispositivos de segurança e trata de sistemas de vigilàância eletrônica, de alarme e de detecção de incêndio. Além disso, compreende a integração de sistemas e uma introdução à  análise e ao gerenciamento de riscos, oferecendo ao projetista recomendações para a elaboração não só de projetos de integração, mas também de sistemas de segurança em geral.

Profissionalmente, Marin dedica-se à  consultoria,  treinamento técnico e acadêmico nas áreas de infraestrutura de data centers,  cabeamento estruturado, telecomunicações e TI, além de sites de missão crítica. Graduado em Engenharia Elétrica, pela Faculdade de Engenharia São Paulo (FESP), é especialista em telecomunicações pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, possui títulos de mestre e doutor em engenharia elétrica pela mesma instituição. Entre outras atividades, é membro ativo do IEEE - Institute of Electric and Electronics Engineers nos Estados Unidos, coordenador da CE 03:046.05 da ABNT (responsável pela norma NBR-14565:2012 de cabeamento estruturado para edifícios comerciais e data centers), membro do comitê ANSI/BICSI-002 (que desenvolve a norma de infraestrutura para data centers), realiza palestras em vários países e é Subject Matter Team Leader no comitê TI&M da BICSI nos Estados Unidos, instituição da qual foi secretário, presidente de distrito e diretor regional do Brasil.

 

O que orienta a norma ANSI/BICSI 005-2013 Electronic Safety and Security (ESS) System Design and Implementation Best Practices?

Marin -A orientação desta norma é oferecer ao projetista elementos normativos (obrigatórios) e recomendações para a elaboração de projetos de sistemas de cabeamento estruturado quando utilizados como infraestrutura física para segurança eletrônica e sistemas de segurança em geral.

 

Qual a abrangência dessa norma?

Marin - A BICSI 005 cobre a infraestrutura de cabeamento para segurança eletrônica, que inclui o cabeamento horizontal e o cabeamento de backbone. Ela apresenta o conceito do HCP (ponto de conexão horizontal) do qual partem enlaces de cabos dedicados aos dispositivos de ESS instalados pelas áreas de cobertura do edifício atendidas por um determinado HCP. A BICSI 005 também traz especificações e recomendações para os encaminhamentos de cabeamento para ESS, bem como espaços de telecomunicações correspondentes. Ela traz informações sobre práticas de instalação, alturas de montagem dos dispositivos , trata de sistemas de detecção de intrusos, vigilàância eletrônica, controle de acesso, sistemas de alarme e detecção de incêndio, integração de sistemas e uma introdução à  análise e ao gerenciamento de riscos.

 

Quanto tempo levou sua elaboração?

Marin - O subcomitê para o desenvolvimento dessa norma foi constituído no fim de 2009 e os trabalhos começaram em janeiro de 2010. Ao longo do desenvolvimento da norma foram gerados três drafts até a conclusão do texto oficial.

 

Ela substitui alguma norma anterior? Qual? Por quê?

Marin - Não. Trata-se de uma norma inédita, que teve como objetivo preencher uma lacuna existente entre os profissionais de segurança eletrônica e os de infraestrutura de TI. Portanto, é a primeira norma publicada sobre infraestrutura física para sistemas de segurança eletrônica.

 

Qual a influência dela no mercado brasileiro?

Marin - Apesar de ser uma norma ANSI, portanto oficial nos Estados Unidos, há grande potencial de que venha a ser utilizada como referência nos projetos de cabeamento estruturado que tenham como finalidade atender aos dispositivos e sistemas envolvidos em instalações para segurança eletrônica. De qualquer forma, mesmo em se tratando de uma norma norte-americana, tivemos a preocupação de torná-la o mais universal possível. Assim, acredito que ela encontrará aplicação ampla no Brasil.

 

Quantas pessoas compuseram o comitê de elaboração?

Marin - O grupo é composto por 43 membros..

 

Além da BICSI, que outras instituições participaram?

Marin - Esta norma foi desenvolvida pela BICSI apenas. A designação ANSI/BICSI mostra que se trata de uma norma americana oficial, aprovada pelo American National Standardization Institute - ANSI), com validade em todo o território nacional dos Estados Unidos, obviamente.

 

Quais os principais pontos da norma?

Marin - Eu diria que os principais pontos da BICSI 005 são os seguintes:

- Oferece ferramentas para o projeto e implementação de sistemas de cabeamento estruturado especialmente desenvolvidos, levando em consideração os requisitos dos dispositivos e sistemas utilizados em segurança eletrônica (ESS).

- Define a topologia directattach, que estabelece critérios para a implementação e testes de enlaces diretos de cabos entre o distribuidor horizontal e o dispositivo ESS. Nesta topologia, não é necessário que o segmento de cabo horizontal termine numa tomada de telecomunicações (TO) como num cabeamento estruturado convencional e seja conectado ao cabeamento por meio de um patch cord. Isso se aplica apenas a este ambiente de segurança eletrônica e tem como objetivo minimizar os pontos únicos de falha num canal de cabeamento.

- Traz o conceito de integração de sistemas, ou seja, apresenta diretrizes para a implementação dos diversos subsistemas de segurança eletrônica, como detecção de intrusos, vigilàância eletrônica, controle de acesso, detecção de incêndio e sistemas de alarme, entre outros.

 

à‰ a primeira vez que você coordena um grupo como esse?

Marin - Na verdade, lidero grupos de normalização há mais de uma década, pois coordeno uma comissão de estudos (CE) na ABNT/COBEI, responsável pela norma NBR 14.565 (cabeamento estruturado para edifícios comerciais e datacenters) e pela norma de cabeamento estruturado para aplicações residenciais que se encontra em fase de conclusão. Também sou membro do subcomitê ANSI/BICSI 002, responsável pela norma de infraestrutura para datacenters da BICSI, publicada em 2011. De qualquer forma, esta foi a primeira vez que coordenei o desenvolvimento de uma norma americana (ANSI).

 

Fale sobre a experiência.

Marin - Apesar de ter experiência na coordenação de desenvolvimento de normas e outras literaturas técnicas e de há muito tempo me relacionar com a BICSI, fiquei feliz por ter sido apontado pelo comitê de normalização da BICSI (BICSI Standards Committee - BSC) para coordenar um subcomitê para o desenvolvimento de uma norma americana. O fato de ter minha indicação aceita de forma unàânime me deixou ainda mais orgulhoso e feliz pela credibilidade conquistada na comunidade BICSI nos Estados Unidos, que eu não sabia que era tão alta. A coordenação do trabalho foi tranquila do ponto de vista de relacionamento com o grupo e com a associação e trabalhamos muito para chegar a um documento do qual todos nos orgulhamos. Não foi fácil, mas conseguimos cumprir todos os prazos estabelecidos; os americanos em geral são organizados, objetivos e orientados a metas. Foi uma experiência rica, construtiva e satisfatória. Tenho a sensação de ter concluído um trabalho bem feito como líder do grupo (composto por profissionais competentes e dedicados), de ter conseguido manter o foco e o conduzido por um caminho de sucesso.      

 

à‰ a primeira vez que um brasileiro coordena um trabalho desse porte na BICSI?

Marin - Sim.

 

Você sabe se já houve isso em outros organismos internacionais do mesmo porte e representatividade?

Marin - Não sei, porém, sinceramente acredito que não. Com certeza isso é inédito no mercado de cabeamento estruturado. 

Qual é o seu cargo na BICSI e no comitê de elaboração?

Marin - Na BICSI sou um membro antigo, desde 1998, e me envolvo como voluntário em várias atividades relacionadas ao desenvolvimento de literatura técnica e normalização. Como exemplo, sou o responsável pelo conteúdo do Capítulo 2 do TDMM (EMC) e contribuo com vários outros. Sou membro do subcomitê ANSI/BICSI 002 (datacenters) e do comitê BICSI de informação e métodos (responsável pela definição da literatura técnica que será desenvolvida e revisada pela associação), entre outros. Com relação à  norma de ESS, meu cargo é subcommittee chairman, ou seja, coordenador do subcomitê ANSI/BICSI 005 de segurança eletrônica.